Psicologia Analítica e Amadurecimento Psíquico – Parte 2/3

  • Amadurecimento, Cinema, Psicologia Analítica, Saúde Mental

Esta é a segunda parte da série Psicologia Analítica e Amadurecimento Psíquico. Vamos ver o conceito de Metanóia e o que é Gerontofobia. Para ler a primeira parte, clique aqui.

METANÓIA

Na psicologia analítica, metanóia representa a segunda metade da vida, na qual a consciência muda o foco de sua energia psíquica na busca de uma compreensão maior de si. Nesta etapa o processo de individuação fica acentuado e, como um pêndulo, tudo aquilo que era foco e objetivo da psique jovem muda de direção com seu amadurecimento.

Na primeira metade da vida, na dimensão do Ego, temos a esturutação da personalidade, foco em eventos externos, conquistas e no “fazer”. Já na segunda etapa, na dimensão do Self, estamos falando da integração de uma personalidade inconsciente, relevância  e atenção aos eventos internos e maior foco do “ser”.

Nesta segunda etapa, percebemos que existe um redirecionamento para o Si-Mesmo. Mas este fenômeno não se dá de forma egoísta, pois o Ego já não é (ou não deveria ser) a estrutura dominante na psique madura. Esse novo direcionamento é uma busca sincera e natural de um entendimento maior das coisas.

Como vimos, a canalização saudável da energia psíquica para o Self permite uma conscientização maior dos atributos mais elevados da personalidade, além de um profundo despertar da dimensão espiritual (sentido de vida). Mas o contrário é verdadeiro, quando essa canalização não ocorre de forma positiva, é possível vermos aquele idoso que perdeu sua vitalidade, “morreu antes do corpo”, seus melhores amigos são os farmacêuticos.

Quando nessa fase não conseguimos desenvolver uma nova atitude, ficamos aprisionados no lado sombrio e regressivo do envelhecimento, predominando preocupações excessivas, e muitas vezes desnecessárias, com a saúde física, sentimento de desvitalização e bloqueio dos recursos criativos e imaginativos. A interrupção do fluxo energético gera um sentimento de vazio interior e insuportável que, muitas vezes, prejudica todas as áreas vitais” (SCHWARZ, 2008, p. 79)

Algumas dúvidas voltam à tona. Perguntas como “de onde viemos”, “qual nossa missão” e “para onde vamos” podem ressurgir. É comum percebemos pessoas que negligenciaram alguns de seus desejos ou vontades da juventude permitirem certaz vontades se manifestem. Homens que compram carros esportivos e trocam a esposa por uma mulher mais jovem para reforçar sua virilidade são só alguns dos exemplos (negativos) de como essa etapa pode ser conturbada. Este fenômeno pode ser uma forma de Gerontofobia.

“O Sétimo Selo” (1959) é um filme de Ingmar Bergman que conta a história de um cavaleiro templário que joga xadrez com a morte em meio a reflexões sobre o sentido da vida (e da morte!)

GERONTOFOBIA

Como próprio nome insinua, a gerontofobia é o medo de envelhecer. Temos medo de envelhecer, pois isto representa de forma concreta que a vida tem um fim. Além disso, nossos papéis se reestruturam e normalmente não estamos preparados para a transição. Por exemplo, antes o pai de família, provedor e atuante, agora perde sua vitalidade e os filhos, crescidos, não mais necessitam de sua presença (física).

Outro fator de suma importância é que a cultura moderna se pauta pelo culto da beleza e da jovialidade. Notemos que, cada vez mais, o psiquismo da grande massa está se infantilizando, cada vez mais as pessoas interagem entre si como crianças, muitas vezes mimadas e birrentas. Isso é perceptível inclusive no aumento da violência: a tolerância e a serenidade parecem estar em falta, características típicas dos idosos maduro.

No que diz respeito à beleza, são incontáveis os programas, produtos e cirurgias plásticas que parecem invadir o mercado diariamente. O Brasil é o país campeão em cirurgias plásticas, superando os Estados Unidos desde o ano de 2013, quando realizou aproximadamente um milhão e meio de cirurgias, o que representa mais de 12% de todos os procedimentos cirúrgicos realizados no país (Internacional Society of Aesthetic Surgery).

Infelizmente enxergamos a velhice como algo ruim e isso pode ser um reflexo da cultura capitalista que nos assola: o velho não mais produz, logo não nos tem utilidade, pelo contrário, só dá mais despesas! Nas tribos indígenas, quando o cacique precisa tomar uma decisão importante, é comum realizar uma reunião com os anciões para lhes consultar, pois eles contém a voz da sabedoria. Será que nossa sociedade atual dá a mesma importância e respeito aos idosos?

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